Nesta zona de França, junto à fronteira com a Bélgica e em redor de Verdun, a 1ª Guerra Mundial nunca terminou. Apesar de não poder ser habitada, a zona pode ser visitada
Quando pensamos em zonas que em tempos foram habitadas, mas, que por algum tipo de desastre tiveram de ser abandonadas para sempre, vem-nos normalmente à memória os desastres nucleares de Chernobyl, na Ucrânia ou Fukushima, no Japão.
Mas existe também uma área assim bem mais perto, em França. São cerca de 170 quilómetros quadrados onde não é permitida presença humana permanente. Conhecida como Zone Rouge, ou zona vermelha, esta área foi permanentemente danificada por uma das piores batalhas da 1ª Guerra Mundial.
Durante 300 dias, no ano de 1916, a batalha de Verdun opôs os exércitos franceses e alemães. Milhões de peças artilharia foram disparados durante estes longos meses, destruindo completamente a região.
Mesmo em tempos de paz, devido à proximidade com a fronteira com a Bélgica, a zona era já bastante militarizada, com cerca de 66.000 soldados aí estacionados, que naturalmente precisavam de ser alimentados. Por isso, antes da guerra, esta era uma zona de intensa atividade agrícola com várias aldeias e vilas.
No final da guerra, o governo francês concluiu que limpar a área era demasiado custoso e preferiu deslocar quem vivia nesta zona antes da guerra para outras áreas, deixando para trás aldeias inteiras ao abandono.
Ao ritmo atual, estima-se que seriam necessários 300 anos para recuperar a área de modo a permitir que aí se voltasse a poder viver. Mas a zona não está necessariamente abandonada.
Habitantes e empresas que vivem nas imediações usam a Zone Rouge para caçar ou como fonte de matéria-prima para a indústria madeireira. E há também uma crescente indústria turística.
Apesar da quantidade de explosivos por detonar e químicos que ficaram no solo, a natureza tomou rapidamente conta do antigo campo de batalha e proliferou. No entanto, existem ainda duas pequenas áreas em que a concentração de arsénico (um elemento altamente tóxico), é tão alta (chega ser 17% do solo), que 99% das plantas acabam por morrer.
Para a historiadora Christina Holstein, entrevistada para a National Geographic, uma zona com tão pouca atividade humana nos últimos 100 anos e onde aconteceram eventos históricos tão importantes é um local que vai sempre suscitar muito interesse.
Apesar de desabitada, a Zone Rouge pode ser visitada com alguma facilidade. Aqui é uma zona de memória e lembrança, e existem por isso inúmeros monumentos aos sacríficos da guerra.
A aldeia de Craonne foi completamente destruída em 1917. Hoje em dia, existe uma aldeia com o mesmo nome, mas noutro local, já que as ruínas de Craonne foram consideradas parte da Zone Rouge. Essas ruínas podem ser visitadas através de caminhos assinalados, e existe até uma plataforma para observar de cima o antigo campo de batalha.
O solo desnivelado, coberto por vegetação, é uma cicatriz das milhões de crateras abertas pelas barragens de artilharia.
Outro local aberto aos visitantes é o forte de Douaumont, um dos muitos fortes contruídos antes da guerra para defender Verdun. O forte foi tomado pelo exército alemão seis dias depois do começo da batalha, mas foi recuperado oito meses depois, não sem antes sofrer bombardeamentos incessantes.
O forte foi recuperado e foi transformado em museu e centro de arquivo para partilhar a história da batalha de Verdun. Não muito longe fica a aldeia abandonada de Fleury-devant-Douaumont.
Esta é uma das nove aldeias completamente destruídas e abandonadas no pós-guerra (as outras são Beaumont-en-Verdunois, Bezonvaux, Cumières-le-Mort-Homme, Douaumont, Haumont-près-Samogneux, Louvemont-Côte-du-Poivre, Ornes e Vaux-devant-Damloup).
Apesar de abandonadas, estas aldeias continuam a ser oficialmente consideradas como municípios e a ter um presidente que gere o orçamento dos memoriais e infraestrutura para visitas. Todas estas vilas estão abertas ao público.
Claro está, visitar a região exige cuidados especiais. A região continua contaminada e minada, pelo que deves andar sempre pelos caminhos assinalados e nunca consumir água ou frutos. Talvez o melhor, tanto por segurança como para ficar a conhecer melhor a história de Verdun, seja seguir um guia turístico.
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